A inconstância e a ânsia de querer o mundo é intrínseco ao ser humano, que está sempre em busca de, sentindo falta de, querendo que. A grama do vizinho sempre parece mais verde e a felicidade do outro sempre mais verdadeira que a nossa. Será que é verdade? Certas vezes aplico às pessoas o mesmo que aplico às roupas e sapatos fetichizados. Não, não torno as pessoas objeto, não coisifico ninguém, mas há situações em que é necessário provar pra saber se cai bem, porque se cair a gente resolve se paga o preço, se não, o fetiche acaba e a vida segue. Ainda na filosofia das roupas aplicada às relações humanas, nem sempre é possível fazer ajustes, apertar aqui, soltar ali, fazer uma barra porque simplesmente não terá o caimento adequado, não tem jeito. E o jeito é aceitar, garimpar que uma hora o caimento certo surge. E quando se prova rápido e acha que caiu bem? #comofaz Tem de provar de novo, oras! Desfetichizar! Quantas não foram as vezes em que conhecemos alguém ou que achamos que algo era ideal para nós e numa segunda olhada, numa segunda prova nos demos conta de que o encantamento inicial passou? Quantas não foram as vezes em que fantasiamos, criamos o enredo, escrevemos o romance para depois perceber que tudo não passou de uma projeção porque a realidade era outra? A primeira impressão nem sempre fica, às vezes temos de provar de novo e desfetichizar. E você, está construindo ou desconstruindo fetiches?
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
Da saudade.
Taí um conceito muito nosso, muito da língua portuguesa.
Quem trabalha com tradução sabe muito bem que não há correspondente exato em outras línguas e sempre que aparece num texto, causa desconforto ao ser traduzido, já que qualquer escolha ficaria aquém do significado real.
Em tese, seriam necessárias as ideias de perda, distância e amor para dar exata substituição do conceito num texto.
De acordo com o Dicionário Aulete, saudade é "sentimento evocatório, provocado pela lembrança de algo bom vivido ou pela ausência de pessoas queridas ou de coisas estimadas".
Costumo dizer que a gente não sente saudade daquilo que não tem.
Pensando sob este aspecto, talvez possa ser reconfortante saber que, se há a saudade, há também a certeza da experiência vivida.
Entretanto, os meandros da nossa riquíssima língua nos permite licença poética pra dizer-nos saudosos de algo que não aconteceu.
E... quero acreditar que só nós, os falantes de língua portuguesa, temos a medida exata do que quer dizer exatamente este conceito, na melhor apropriação drummoniana possível... ou, de tantos outros que antes dele vieram e que, certamente, já falavam sobre a saudade do que não foi...
Diante desta questão tão linguística, fica impossível não pensar no quão pulsante é sentimento lá na Terrinha...
Porque veja: um conceito linguístico, pra existir, precisa ser vivenciado.
E... partir do pressuposto de que na Europa inteira, no Velho Mundo, tão mentor sempre de conceitos artísticos e filosóficos complexos, não houve - além de Portugal -, até hoje, vocábulo que pudesse traduzir este sentimento, nos evidencia quão complexo é o 'modus operandi' dos sentimentos portugueses...
Seria efeito do Fado? Rs.
Enfim: talvez fosse preciso muito estudo antropológico pra que fosse possível responder com exatidão esta questão.
O que fica pra nós, mortais não filósofos, é a faculdade de exprimir numa tacada só tanta coisa junta.
Perda.
Distância.
Amor.
Levando em consideração a abrangência de sensações, quando alguém diz "to com saudade", o mundo deveria parar.
Sério.
Para tudo.
Ai. Que existe alguém com saudade.
Para tudo agora, porque sentir uma coisa só destas aí, já é complicado.
Imagina todas juntas e ao mesmo tempo?
Impossível sair afortunado desta.
Jogamos no corriqueiro, no cotidiano a sensação que 'saudade' nos traz.
Mas... não deveríamos.
Acho mesmo que deveríamos nos levar mais a sério.
E... sempre que Ela, D. Saudade, Senhora Caprichosa, aparecesse, o correto seria ponderarmos os outros aspectos que nos levam a Ela. E... fazermos algo a respeito.
Tirando a saudade de quem já se foi, todas as demais têm jeito.
#fikdik.
E... Você?
Já matou a Senhora Caprichosa do dia?
Pensa em fazer algo a respeito pra se deparar menos com Ela?
;)
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