domingo, 4 de setembro de 2011
Da saudade.
Taí um conceito muito nosso, muito da língua portuguesa.
Quem trabalha com tradução sabe muito bem que não há correspondente exato em outras línguas e sempre que aparece num texto, causa desconforto ao ser traduzido, já que qualquer escolha ficaria aquém do significado real.
Em tese, seriam necessárias as ideias de perda, distância e amor para dar exata substituição do conceito num texto.
De acordo com o Dicionário Aulete, saudade é "sentimento evocatório, provocado pela lembrança de algo bom vivido ou pela ausência de pessoas queridas ou de coisas estimadas".
Costumo dizer que a gente não sente saudade daquilo que não tem.
Pensando sob este aspecto, talvez possa ser reconfortante saber que, se há a saudade, há também a certeza da experiência vivida.
Entretanto, os meandros da nossa riquíssima língua nos permite licença poética pra dizer-nos saudosos de algo que não aconteceu.
E... quero acreditar que só nós, os falantes de língua portuguesa, temos a medida exata do que quer dizer exatamente este conceito, na melhor apropriação drummoniana possível... ou, de tantos outros que antes dele vieram e que, certamente, já falavam sobre a saudade do que não foi...
Diante desta questão tão linguística, fica impossível não pensar no quão pulsante é sentimento lá na Terrinha...
Porque veja: um conceito linguístico, pra existir, precisa ser vivenciado.
E... partir do pressuposto de que na Europa inteira, no Velho Mundo, tão mentor sempre de conceitos artísticos e filosóficos complexos, não houve - além de Portugal -, até hoje, vocábulo que pudesse traduzir este sentimento, nos evidencia quão complexo é o 'modus operandi' dos sentimentos portugueses...
Seria efeito do Fado? Rs.
Enfim: talvez fosse preciso muito estudo antropológico pra que fosse possível responder com exatidão esta questão.
O que fica pra nós, mortais não filósofos, é a faculdade de exprimir numa tacada só tanta coisa junta.
Perda.
Distância.
Amor.
Levando em consideração a abrangência de sensações, quando alguém diz "to com saudade", o mundo deveria parar.
Sério.
Para tudo.
Ai. Que existe alguém com saudade.
Para tudo agora, porque sentir uma coisa só destas aí, já é complicado.
Imagina todas juntas e ao mesmo tempo?
Impossível sair afortunado desta.
Jogamos no corriqueiro, no cotidiano a sensação que 'saudade' nos traz.
Mas... não deveríamos.
Acho mesmo que deveríamos nos levar mais a sério.
E... sempre que Ela, D. Saudade, Senhora Caprichosa, aparecesse, o correto seria ponderarmos os outros aspectos que nos levam a Ela. E... fazermos algo a respeito.
Tirando a saudade de quem já se foi, todas as demais têm jeito.
#fikdik.
E... Você?
Já matou a Senhora Caprichosa do dia?
Pensa em fazer algo a respeito pra se deparar menos com Ela?
;)
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