Isso era pra ter sido só um comentário na postagem anterior.
Mas virou postagem. Esse assunto me instiga desde sempre! Mesmo quando eu tinha como padrão de comportamento a cena descabida e o buraco no esôfago advindo da certeza de que - a qualquer momento - tudo ruiria. E sabe-se lá o que era - na minha cabeça! - esse tudo: desde amigos até amores, passando por elos tão rasos quanto desnecessários.
Geminiana. Tendencialmente possessiva. Tendencialmente livre.
Sendo assim, torna-se raciocínio matemático que o flerte vindo do mundo - e a resposta positiva a este - é certeiro e natural. Até porque, livre como sou - ainda que não exista um vínculo real na minha vida -, por vezes, me vejo sendo questionada acerca de escolhas, possibilidades e coisas que nem são tão reais assim: exceto na cabeça de quem questiona. Como tudo que origina ciúme. Aliás. [Ou... quase].
Depois de alguns senãos na vida, acho que hoje sou capaz de lidar com esse bicho aleijão de maneira mais retilínea. Retilínea? Sim. Se pensar bem, tortuosos são os caminhos que nos fazem não querer enxergar de maneira direta o modo como lidamos com o ciúme. Seja o próprio. Seja o alheio.
Particularmente, aprendi que coisas e pessoas coabitarão na medida em que for interessante que isso aconteça.
O quê quero dizer?
Que quando não mais for bom para ambos, as coisas não coexistirão.
E ponto. E basta.
E acredito que a única maneira de canalizar a energia ruim que o ciúme nos traz é tratá-lo como uma coisa. Como algo inanimado. Com toda a racionalidade possível. Destituí-lo do cargo de 'sentimento'.
Por que?
Porque simplesmente, quando alguma coisa deixa de ser sentida, torna-se tão somente 'coisa'. E como tal, mais fácil de ser analisada de maneira coerente. Sentimento é coisa sem controle. [Ou quase].
Sendo assim, raciocinando friamente, não há nada nesta vida mais desnecessário do que brigar por ciúme. Não adianta você ter o ciúme que for: se o cara decidir que acabou, acabou. Ponto. E se decidir que a gostosa da vizinha vale a 'sacanagem', vai valer e acabou.
Da mesmíssima maneira quando é conosco: se a gente decidir que aquele cara fenomenal merece o flerte - e a concretização de fatos - nada, absolutamente nada, nos irá deter. Nem todo o amor do mundo que 'ele' tem para conosco.
E aí entra a postura que não quer calar: suponha que pelo teu abusivo ciúme, o 'cabra' não concretize nada, de fato. E que por toda a falta de estrutura que ele irá causar no relacionamento, ele simplesmente não diga nada sobre. Mas... não fez, não porque não queria, mas porque tinha uma dívida moral contigo. Ou consciência pesada.
Na boa? De quê vale isso?
De que vale uma fidelidade concretizada por covardia, consideração - motivo pior do mundo e mais dois planetas, aliás, na minha singela opinião! -, dó?
Tenho uma maneira meio torta de enxergar tudo isso. Acabei adquirindo. Achei melhor.
A fidelidade como concepção, como aquilo que toda mulher almeja, simplesmente não existe.
Não. Existe.
Pra eles, o ato consuma o fato.
Pra nós, o querer consuma o fato.
E isso: desde que Mulheres vêm de Vênus. E Homens de Marte.
Para nós, saber que o camarada será capaz - e também terá a necessidade latente de - olhar para o traseiro alheio com cobiça, já dói o suficiente.
Daí, quando você encara esta realidade e encara também a situação de que homem nenhum do mundo irá desejar tão somente a sua escolhida para-todo-o-sempre-amém, fica muito mais fácil perceber o quanto somos ridículas - tantas vezes - brigando por isso. E o quanto somos ingênuas achando que cenas são capazes de 'segurar' homem.
Não, Gata. Não são capazes.
Não, Gata: ele não olhará pra você a vida toda da mesma maneira.
E... encare os fatos: sequer você o olhará a vida toda da mesma maneira.
Sendo assim, o ciúme passa a ser um problema seu e não do outro.
Você sente? Azar o seu.
Garanta-se. Certeza absoluta que uma mulher que se garante causa muito mais emoção do que a desequilibrada. "E... vem cá: se ela se garante... afinal: o quê tem esta mulher? O que tem ela que outras não tem? Ai. Que acho que quero pra mim."
Percebe? A lógica? É isso.
Daí rola outra matemática: "E... se ela se garante assim... muito provavelmente é porque ela não precisa implorar pra que eu exista na vida dela. Não só sabe o que quer, mas também... não tá desesperada. Nossa. Deve chover oferta nesta horta. Uau. Acho que pra tê-la, terei de ser o melhor. Terei de rebolar. Fazer por onde."
Pronto. Fechou a equação.
E claro: to aqui legislando em benefício próprio.
Mas o contrário também vale: não é de gênero que estamos tratando.
Mas de sentimentos humanos.
E a palavra, por si, já define tudo.
Quanto a lidar com o ciúme alheio: se fazer entender. O método é sempre dizer tudo isso aí pro outro lado da moeda.
Mas, porém, contudo, todavia... toda regra tem sua exceção. Nem sempre o ciúme é só uma coisa que parte de quem sente. Parte sim, sempre. Mas tantas vezes tem o fator 'falta de conforto emocional' no pacote.
O quê significa?
Não se sentir confortável naquela relação. Achar que tá sempre faltando algo e que - a qualquer momento - tudo pode se esvair.
Daí... não tem muito remédio, eu acho. Se a sensação é esta, ou o 'outro lado da moeda' terá de passar a ofertar mais segurança emocional, ou você terá de trocar de 'outro lado da moeda'. E acabou.
Não preencheu tua lacuna? Troca a peça.
Não tenta encaixar, virar de ponta cabeça, lixar o excedente: não vai completar a figura da embalagem! Não vai!
E também não adianta achar que você irá conseguir mudar a pessoa, ou pior: conviver com isso a seu despeito. Não vai!
Um relacionamento pautado assim não tem futuro.
Não tem!
E ok: ainda que a gente legitime o direito ao ciúme, isso não significa legitimar a burrice emocional. Todos nós sabemos exatamente o que queremos do outro.
Se ele não dá: passa a vez.
E ok. E tudo bem. E adultos. E amigos. Antes que o mundo acabe...
Porque no fundo, quando isso é a mola mestra, a gente já sabe a resposta.
Só não quer ler.
E querer ler é fundamental.
Tá na base das auto-permissões reais a que nos submetemos.
;)
Sim. Concordo com tudo aí de cima. Deve-se coisificar o ciúmes e, infelizmente, racionalizar a vida em geral é necessário. Pra sobreviver.
ResponderExcluirMas dói, né, Terra? :)
ResponderExcluirA gente acaba tendo de fazer escolhas...
Infelizmente, a vida é feita de escolhas, né? Bom seria se a gente tivesse tudo e todo mundo ficasse satisfeito. Mas como é impossível agradar a todos o tempo todo, uns perdem p/ outros ganhar e vice-versa.
ResponderExcluirMeu coment sumiu =/.
ResponderExcluirEnfim... Cal, cada coisa aí doeu. PQP!
Verdade: tinha comentário teu aqui! Dói. Mas dá e passa. :)
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